Software house ou agência digital. Qual é que a tua empresa precisa?
A diferença entre contratar quem gera procura e quem constrói tecnologia. Cinco perguntas ajudam a perceber onde está o problema e onde vale a pena investir.
“Precisamos de alguém para tratar do digital.”
É uma frase comum nas pequenas e médias empresas. Parece suficientemente clara até chegar o momento de procurar quem faça o trabalho.
Do outro lado podem surgir uma agência digital e uma software house. Ambas apresentam websites. Ambas falam de crescimento, eficiência e resultados. Por vezes, até os orçamentos parecem comparáveis.
Mas não vendem a mesma coisa.
Uma trabalha sobretudo sobre a forma como a empresa chega ao mercado. A outra trabalha sobre a tecnologia com que a empresa funciona. Confundir as duas não significa necessariamente receber um mau serviço. Significa correr o risco de comprar uma boa solução para o problema errado.
Duas empresas digitais, dois problemas diferentes
Uma agência digital trabalha essencialmente a visibilidade de uma empresa. Marca, conteúdos, campanhas, redes sociais, publicidade e aquisição de tráfego fazem parte do seu território natural.
O resultado aparece no mercado. Mais pessoas conhecem a empresa, mais potenciais clientes chegam ao website e mais oportunidades comerciais entram.
Uma software house trabalha sobretudo aquilo que acontece por baixo dessa superfície. Desenvolve websites enquanto produtos tecnológicos, aplicações, plataformas, integrações e automações. Liga sistemas que não comunicam entre si e transforma processos manuais em software.
O resultado aparece na operação. Menos horas desperdiçadas, menos erros, processos mais rápidos e capacidade para crescer sem aumentar a estrutura ao mesmo ritmo.
A fronteira parece clara até chegarmos ao website.
É aí que os dois mundos se encontram.
Uma agência tende a olhar para o website como parte de uma estratégia de comunicação. Uma software house tende a olhá-lo como um produto de software, onde arquitetura, desempenho, SEO técnico, segurança, integrações e capacidade de evolução também contam.
No dia da entrega, dois websites podem parecer semelhantes.
A diferença costuma revelar-se mais tarde, quando é preciso fazê-los crescer.
Cinco perguntas antes de escolher
Mais importante do que perguntar quem deve contratar é perceber primeiro qual é o problema que está realmente a tentar resolver.
1. Falta procura ou falta tempo?
Se a preocupação é não aparecer no Google, ter pouca notoriedade ou receber poucos contactos comerciais, existe sobretudo um problema de procura.
Uma agência digital estará, à partida, mais próxima da solução.
Se a empresa perde tardes a preparar orçamentos, copia informação entre sistemas, mantém registos em papel ou depende de folhas de cálculo para processos críticos, o problema está na operação.
Aí, o território é outro.
Mais marketing pode colocar mais clientes à porta. Mas, se aquilo que existe atrás da porta já está sobrecarregado, aumentar a procura pode apenas aumentar o problema.
2. O que acontece quando deixas de pagar?
Esta pergunta revela muito sobre aquilo que estás a comprar.
Marketing exige continuidade. Campanhas precisam de acompanhamento, conteúdos precisam de ser produzidos e canais precisam de ser geridos. Por isso, a avença mensal é um modelo natural para uma agência.
Software funciona de forma diferente. Uma aplicação, uma integração ou uma automação devidamente entregue continua a existir depois do projeto terminar.
Pode precisar de manutenção, evolução e suporte, naturalmente. Mas o ativo permanece.
Nenhum dos modelos é superior ao outro. Respondem simplesmente a necessidades diferentes.
O erro está em pagar continuamente por algo que deveria tornar-se um ativo da empresa ou, no sentido inverso, investir num excelente produto digital quando não existe uma estratégia para levar pessoas até ele.
3. Quem fica dono do que foi construído?
É uma pergunta que deveria surgir antes de qualquer assinatura.
Num projeto de software, importa perceber quem controla o código, o domínio, os dados, os acessos e a infraestrutura.
O cliente deve conseguir mudar de fornecedor sem perder aquilo que pagou para construir.
No marketing, a questão assume outra forma. Contas publicitárias, audiências, dados históricos e ativos digitais vivem frequentemente em plataformas externas. Ainda assim, devem estar configurados de forma a que a empresa mantenha controlo sobre eles.
A dependência de um fornecedor pode ser consequência natural de uma boa relação.
Não deve ser uma condição técnica para impedir a saída.
4. Onde está hoje o ponto fraco da empresa?
Há empresas com boa capacidade comercial e operações frágeis. Outras funcionam de forma exemplar, mas quase ninguém sabe que existem.
Contratar para reforçar aquilo que já funciona raramente resolve o problema.
Se tens marketing internamente, mas a equipa continua a trocar ficheiros Excel por email e a introduzir os mesmos dados em três sistemas, provavelmente não precisas de mais comunicação.
Se tens processos eficientes, capacidade disponível e um produto competitivo, mas o telefone não toca, desenvolver mais software dificilmente será a resposta.
O investimento deve atacar o gargalo.
5. Que resultado queres medir daqui a um ano?
Uma decisão torna-se muito mais simples quando existe uma métrica concreta.
Numa estratégia de marketing, podem interessar o tráfego qualificado, os contactos gerados, o custo de aquisição ou as oportunidades comerciais.
Num projeto de software, podem interessar as horas poupadas, os erros eliminados, o tempo necessário para executar determinado processo ou a redução da dependência de trabalho manual.
A pergunta é simples.
Qual destes números faria uma diferença real no teu negócio daqui a doze meses?
Se a resposta for clara, provavelmente também será claro quem deves contratar.
Se não houver resposta, talvez ainda seja cedo para contratar alguém.
O preço conta, mas o horizonte conta mais
Comparar uma agência e uma software house pelo valor do primeiro mês é comparar modelos económicos diferentes.
Uma agência trabalha frequentemente através de uma avença porque o serviço é contínuo. Uma software house trabalha muitas vezes através de projetos porque está a construir um ativo.
No mercado português, uma PME pode encontrar serviços de agência desde algumas centenas até vários milhares de euros mensais, dependendo do âmbito.
No desenvolvimento de software, um website pode representar um investimento pontual relativamente pequeno, enquanto uma aplicação ou automação personalizada pode facilmente entrar nos milhares de euros.
A comparação útil não é saber qual apresenta o número mais baixo na primeira proposta.
É perceber quanto custa obter e manter o resultado durante o período em que ele cria valor para a empresa.
Há empresas que precisam das duas
A escolha nem sempre é binária.
Um novo produto precisa de funcionar, mas também precisa de ser descoberto.
Uma loja online precisa de tecnologia capaz de vender e de marketing capaz de trazer compradores.
Uma empresa em crescimento pode ter simultaneamente um problema de aquisição e processos internos incapazes de acompanhar esse crescimento.
Nestes casos, agência e software house podem ser complementares.
Mas a sequência importa.
Enviar tráfego pago para um website lento, confuso ou incapaz de converter significa comprar atenção e desperdiçá-la logo a seguir.
Primeiro é preciso garantir que a máquina funciona. Depois faz sentido acelerar.
E há empresas que ainda não precisam de nenhuma
Esta é talvez a resposta comercialmente menos conveniente, mas nem todas as empresas precisam imediatamente de contratar especialistas.
Um negócio que está a começar, com poucos clientes e processos ainda simples, pode funcionar perfeitamente com ferramentas existentes, um construtor de websites e uma gestão cuidada das redes sociais.
Tecnologia a mais também cria complexidade.
O momento para investir chega quando o improviso começa a sair mais caro do que a solução.
Quando manter o website rouba tempo que devia ser dedicado aos clientes. Quando uma folha de cálculo deixa de acompanhar o volume. Quando um processo manual começa a produzir erros. Ou quando uma empresa preparada para crescer não consegue gerar procura suficiente.
Até lá, gastar mais não significa necessariamente estar mais preparado.
Então, a quem deve ser comprado um website?
É a zona cinzenta desta discussão.
Se o website é sobretudo uma peça de comunicação dentro de uma estratégia de marca, conteúdo e campanhas já gerida por uma agência, pode fazer todo o sentido que seja desenvolvido nesse contexto.
Se é uma ferramenta central de aquisição, precisa de integrações, tem requisitos importantes de desempenho ou deverá evoluir para algo mais complexo, faz sentido tratá-lo como software.
Existe ainda uma pergunta particularmente útil antes de adjudicar um projeto.
Quem vai efetivamente construir o website?
Parte do desenvolvimento vendido por agências é subcontratado a equipas técnicas externas. Isso não é necessariamente um problema. A intermediação pode acrescentar valor.
Mas o cliente deve saber quem está a construir aquilo que está a comprar e que responsabilidades permanecem depois da entrega.
A escolha começa pelo problema
Uma agência digital e uma software house podem trabalhar no mesmo ecossistema sem fazer o mesmo trabalho.
A primeira é particularmente valiosa quando o desafio está em chegar ao mercado.
A segunda quando o desafio está em construir, integrar ou tornar mais eficiente aquilo que faz a empresa funcionar.
Procura, continuidade, propriedade, capacidade interna e resultado esperado. Estas cinco dimensões são normalmente suficientes para perceber de que lado está a necessidade.
Na Syntropic somos uma software house e isso também significa reconhecer os projetos que não são nossos.
Se o problema de uma empresa for exclusivamente gerar procura, uma boa agência digital será provavelmente uma escolha melhor.
Quando o problema está nos processos, nas integrações, na automação ou num website que precisa de fazer mais do que simplesmente estar online, é aí que entramos.
E quando a resposta ainda não é evidente, começamos pelo diagnóstico.
Porque antes de escolher tecnologia, agência ou fornecedor, há uma decisão mais importante.
Perceber qual é o problema que realmente vale a pena resolver.